O perfil lipídico, definido pelas determinações bioquímicas de colesterol total (CT), HDL-colesterol (HDL), triglicérides (TG) e LDL-colesterol (LDL), tem grande relevância na avaliação do risco de evento coronariano agudo na população geral.
A determinação do perfil lipídico deve ser feita em indivíduos com :
--dieta habitual,
--estado metabólico e peso estáveis por pelo menos duas semanas antes da coleta.
--além disso, devem ser evitadas a ingestão de álcool nas 72 horas e atividade física vigorosa nas 24 horas anteriores à coleta.
Enquanto CT, TG e HDL são dosados diretamente, o LDL pode ser determinado pela equação de Friedewald (LDL=CT-HDLTG/ 5) ou dosado diretamente.
A IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, publicada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia considera o uso da fórmula como padrão, devido ao custo menor e à sua adequação à maioria dos pacientes. Apesar disso, para pacientes com hipertrigliceridemia (TG > 400mg/dL), hepatopatia colestática crônica, diabetes ou síndrome nefrótica, a equação é imprecisa e o LDL deve ser dosado diretamente
Principais fontes de variação pré-analítica:
1) Variabilidade Biológica:
Os componentes do perfil lipídico sofrem flutuações ao longo do tempo, o que caracteriza a variação biológica intraindividual. As variações médias em indivíduos saudáveis, em termos de coeficiente de variação (CV) podem ser resumidas em: cerca de 10% para CT, HDL e LDL e 25% para TG.
2) Duração do jejum
A padronização para a coleta recomenda jejum de 12 a 14 horas. Intervalos menores ou maiores podem interferir nos resultados.
3) Postura durante a coleta
É recomendável que a punção venosa seja realizada no paciente sentado por pelo menos 10 a 15 minutos para evitar variações ortostáticas da volemia e garantir a consistência entre as dosagens.
4) Duração do torniquete
Após 1 minuto de torniquete pode haver,hemoconcentração e, com relação ao perfil lipídico, ocorrer aumento de cerca de 5% no CT. Este efeito pode chegar a 10 a 15% com durações superiores a 5 minutos. Visando minimizar o “efeito torniquete”, este deverá ser desfeito tão logo a agulha penetre a veia.
5) Variações nas dosagens dos lípides
Pacientes com alterações no perfil lipídico devem ter seus exames confirmados por repetição em nova amostra, com intervalo entre uma semana e dois meses. Caso a variação entre as duas dosagens seja superior à variação máxima aceitável , uma terceira dosagem deve ser feita, com atenção especial às condições pré-analíticas e de preferência com a mesma metodologia e no mesmo laboratório.
REFERÊNCIA
IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose do Departamento de Aterosclerose da
Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arquivos Brasileiros de Cardiologia v. 88, suplemento I, abril de 2007
LinK: http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2007/diretriz-DA.pdf
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